e-portefólio - NPP

Abril 11 2010

Reflexão sobre o terceiro módulo da Formação

11 e 12 de Fevereiro de 2010

 

No primeiro dia de formação deste terceiro módulo, foi-nos apresentada uma forma de planificar em sequência didáctica. Levou-nos a reflectir sobre qual seria o melhor ponto de partida para elaborar uma sequência didáctica, sabendo que actualmente, na nossa prática de planificação, conferíamos muita importância aos conteúdos e, era a partir destes que a organizávamos.

Ao longo desta formação foi sempre veiculada a ideia de que os conteúdos do programa servem as competências, ou seja, são um meio de levar os alunos a desenvolver as competências e, não devem ser ensinados aos alunos descontextualizados, devem sempre ter em conta um objectivo, o aluno deve ser conduzido a um determinado estádio de desenvolvimento mensurável que, neste programa, é expresso nos descritores de desempenho. Então a ênfase não deverá ser dado aos conteúdos mas sim aos descritores de desempenho, os conteúdos terão de ser articulados de forma a ajudar o aluno a alcançar aquele estádio de desenvolvimento. Ora, se os descritores de desempenho são aquilo que se espera que o aluno seja capaz de fazer, será então este o ponto de partida de uma sequência didáctica. A aquisição gradual dos descritores de desempenho levam o aluno progressivamente ao estádio de desenvolvimento pretendido, logo, indicam ao professor, qual o caminho a percorrer, dando-lhe ao longo do percurso informações sobre as aprendizagens dos alunos, através das avaliações feitas ao longo de todo o processo.

Uma sequência didáctica terá sempre que ter em conta a situação actual da turma, onde é descrito qual o seu estádio de desenvolvimento. Deverá ser escolhida uma competência foco, à qual será dada mais importância naquela sequência didáctica, será mais trabalhada, mais explorada, com os alunos.

É sabido que no desenvolvimento do trabalho com os alunos não se trabalha exclusivamente uma competência de cada vez, embora deva existir uma competência foco que já foi referido anteriormente, deverá estar evidente na planificação a articulação entre competências. Ou seja, se naquela sequência didáctica existe uma competência foco à qual devemos estar mais atentos para atingir o produto final desejado, a esta competência outras deverão estar associadas embora num grau menos importante.

O professor deverá mencionar na planificação qual o estádio de desenvolvimento que pretende atingir, qual o produto final e, a partir daí, determinar a escolha da competência foco, os descritores de desempenho e conteúdos associados.

A planificação por sequências didácticas tem sempre como objectivo atingir uma determinada meta, um fim, e os descritores de desempenho serão escolhidos com essa intenção, a de alcançar aquela meta. O professor deverá ter em conta vários critérios quando planifica: progressão, adequação, pertinência, eficácia, rigor, funcionalidade…

Uma vez alcançada a meta pretendida, o estádio de desenvolvimento pretendido, que será aferido a partir de variadas formas, nomeadamente na avaliação formativa e sumativa dos alunos, teremos um novo ponto de partida para a elaboração de uma nova sequência didáctica. É assim um processo cíclico que se vai desenvolvendo progressivamente ao longo de vários estádios de desenvolvimento.

Esta forma de planificar revelou-se lógica, orientando o professor ao longo de todo o processo, indicando metas, levando a outras aprendizagens e a outras metas, de forma progressiva. O aluno é levado sucessivamente por diversos estádios de desenvolvimento até alcançar o patamar pretendido naquele período, naquele ano, naquele ciclo.

Mas a planificação de aulas nem sempre é assim linear, não podemos esquecer que nem todos os alunos alcançam ao mesmo tempo o estádio de desenvolvimento pretendido, teremos que refazer, repetir, reformular, mas ao mesmo tempo continuar, desenvolver aqueles que já estão nesse estádio de desenvolvimento. Também existe a particularidade do 1º ciclo onde o professor não tem como única preocupação o ensino do português. O professor do 1º ciclo planifica todas as áreas que lecciona de forma articulada, como será planificar em sequências didácticas articulando todas as áreas? O trabalho do professor não deverá ser cada vez mais dificultado e burocratizado, deverá ser antes simplificado, objectivado para se tornar prático. Não é suposto, nem correcto, planificar cada área separadamente, o ideal será articular cada área entre si de forma a desenvolver integralmente e harmoniosamente os alunos, nas mais variadas vertentes. Até ao final desta formação, com a ajuda e troca de opiniões entre todos os docentes, espero obter resposta a algumas destas preocupações que agora me afligem.

O segundo dia de formação foi dedicado à competência da leitura. Mais uma vez, estudos feitos, revelaram que os nossos estudantes dominam melhor a leitura e compreensão de textos narrativos e apresentam mais dificuldades noutro tipo de textos, nomeadamente texto dramático, poético, informativo, entre outros. O tempo dedicado à leitura de textos narrativos sobrepõe-se substancialmente às modalidades de leitura para informação e estudo. Esses estudos revelaram ainda uma falta de treino para detectar elementos implícitos e, ainda, dificuldades na organização discursiva. Também, os alunos com melhor desempenho usam variadas estratégias para compreender os textos.

Desta forma, sentiu-se a necessidade de reflectir sobre o modo como se ensina e aprende a leitura. Para superar estas lacunas, o novo programa propõe o contacto com uma grande diversidade de textos, sem nunca esquecer, no entanto, a importância do texto literário, que é valorizado pelo Programa, na sua condição de legado estético. As actividades de leitura deverão estar em sintonia com os Planos Nacional e Regional de Leitura, e esta deve representar um desafio para o aluno de forma a motivá-lo. O professor terá que ter em consideração o aspecto e apresentação dos materiais utilizados, para que estes se tornem apelativos. O acto de ler deverá ser sempre uma experiência significativa para o aluno. O papel do professor é muito importante uma vez que também ele é um leitor e, por contágio, irá fazer crescer nos seus alunos o gosto pela leitura pois, para aprender a ler e desenvolver a competência da leitura, é preciso gostar de ler. Cabe também ao professor promover actividades que levem à aquisição de estratégias de monitorização, do processo de compreensão textual, diversificar as actividades aplicando-as aos diferentes tipos de textos.

As tarefas de leitura apresentadas aos alunos deverão ser sempre claras e precisas: os alunos deverão ter a noção exacta do que lhes é pedido em relação ao texto e serem implicados na sua resolução. A tarefa de leitura deve constituir um desafio de aprendizagem e o aluno precisa de sentir que ela acrescenta algo à sua formação.

Na escolha dos textos o professor deverá ter em conta três factores: o texto; o leitor e o contexto. Diferentes tipos de textos suscitam variadas reacções por parte dos leitores, o conteúdo dos textos tem influência sobre a leitura e sobre a compreensão dos textos lidos, uma vez que as temáticas poderão ser ou não mais familiares ao aluno, poderão ser mais motivadores ou mais complexos, poderão constituir desafios para o aluno… Quanto ao leitor as aprendizagens feitas pelos alunos anteriormente poderão influenciar a leitura, o maior ou menor desenvolvimento cognitivo dos alunos, os hábitos de leitura, a motivação e a importância dada à leitura no seu ambiente familiar, o conhecimento sobre a língua, são factores que influenciam a leitura. O contexto onde o aluno vive, influencia a sua convivência com a leitura, as experiências que vive no seu meio motivam-no para diferentes temáticas e diferentes tipos de texto. A escola deverá proporcionar ao aluno diversas experiências de leitura, para que este construa as suas próprias expectativas em relação à leitura e alargue os seus horizontes.

Existem três fases que não devem ser esquecidas quando se aplica uma actividade de leitura: a pré - leitura, onde o professor privilegia a mobilização de conhecimentos prévios dos alunos, que se possam articular com o texto, antecipando o seu sentido; a leitura, que consiste na configuração e construção de sentidos do texto. Deverão ser ensinados de forma explícita e sistematizada técnicas de localização, selecção e recolha de informação, de acordo com os objectivos pretendidos; a pós leitura que engloba actividades que integram todos os conhecimentos adquiridos. Nesta fase confirmam-se as expectativas criadas pelo aluno em relação ao texto, o próprio aluno poderá questionar o texto… O papel do professor em toda a prática de leitura é muito importante, é ele que facilita o encontro entre o aluno e o livro, é através da leitura que se veicula informação que irá moldar o cidadão futuro.

Na escolha do corpus textual para uma turma o professor tem à sua disposição os Planos Nacional e Regional de Leitura, o próprio programa remete para variadas obras. No entanto, deverá ter em conta vários critérios na selecção dos textos: a qualidade e representatividade dos textos, a integridade dos mesmos, não fazendo cortes abusivos e descontextualizados da obra integral, a progressão, os textos deverão ser escolhidos em função do desenvolvimento cognitivo dos alunos levando-os progressivamente a textos mais complexos, a diversidade textual que já foi várias vezes referida nesta reflexão, a intertextualidade que remete o aluno para outras obras e contextos…

Para promover e ajudar o aluno a desenvolver a leitura, a sala de aula poderá ser organizada para que o aluno sinta mais vontade de ler criando cantos específicos para a leitura, este tipo de actividade é já muito utilizada no 1ºciclo, este espaço será mais confortável e apelativo. Formar listas de palavras segundo variados critérios, levando os alunos a uma maior autonomia, etiquetar a sala de aula, criar um caderno onde o aluno poderá escrever as palavras novas que vai aprendendo, expor os trabalhos dos alunos é outra forma de valorizar o trabalho dos alunos e motivá-los para outros. O professor poderá trazer para a sala vários textos, em vários suportes para serem consultados pelos alunos, assim contactam com uma grande diversidade textual, entre outras actividades. O aluno deverá ainda explorar variadas formas de ler, ler em voz alta, ler silenciosamente, em grupo, leitura recreativa, leitura orientada… Sem nunca esquecer que o aluno necessita de conhecer o texto previamente antes de o ler perante o grupo, pois desta forma não terá tanta pressão sobre ele, conhecendo já o texto irá ler certamente melhor.

Por fim, o papel das bibliotecas escolares, estas deveriam estar equipadas com obras significativas o que nem sempre acontece. Cabe aos professores exercer pressão para que isto aconteça. É igualmente importante mudar o conceito instituído sobre o facto das bibliotecas serem espaços frios e impessoais, onde não existe lugar para a diversão e entretenimento. As bibliotecas deveriam ser acolhedoras, oferecer variados espaços: de reflexão e estudo, pesquisa e aprendizagem, oficinas de aprendizagem e descoberta, lazer…

As escolas por onde tenho leccionado começaram já a realizar variadas actividades neste sentido, promovendo feiras do livro, mostrando ao público as bibliotecas escolares, trazendo contadores de histórias à escola, escritores e outros artistas, personalidades locais que se destacam em algum aspecto… Considero este facto muito pertinente visto que os professores já se aperceberam que não basta o trabalho na sala de aula, é preciso trabalhar fora da sala para mostrar que ler é mais do que decifrar documentos que, aparentemente, nada significam para o aluno, é preciso mostrar a utilidade, o prazer, criar no aluno a vontade de ler, mostrar que ler é divertido, que folhear livros é interessante, que frequentar espaços de leitura é uma alternativa interessante para preencher os tempos livres.       

publicado por filomenavaz às 19:46

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