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Abril 11 2010

Reflexão sobre o segundo módulo da Formação

12 e 13 de Novembro de 2009

 

 O segundo módulo baseou-se em trabalho mais prático e, iniciámos a reflexão sobre as Competências Específicas: Conhecimento Explícito da Língua (CEL); Compreensão do Oral; Expressão Oral e a Escrita, não tendo sido abordada a Leitura.

O ensino da gramática nem sempre é fácil, professores e alunos sentem dificuldades ao nível da contextualização, na articulação e aplicação de conteúdos. Os alunos sentem dificuldades em aplicar no seu dia-a-dia os conhecimentos adquiridos. Além disso, o facto de não existir uma uniformização de termos nos diversos ciclos, também complica o ensino e aprendizagem do funcionamento da língua. O Conhecimento Explícito da Língua não deve ser ensinado descontextualizado, mas deverá partir de textos escritos ou da oralidade, deverá ter como fim a correcta utilização do Português nas mais diversas situações. Deverá haver a preocupação e a necessidade de diversificar estratégias, embora nem sempre seja fácil devido à escassez de tempo, que nem sempre é fácil de gerir. Outra dificuldade encontrada prende-se com a falta de recursos e materiais nas escolas, pois nem todos os alunos têm acesso a prontuários, gramáticas, dicionários, enciclopédias, entre outros.

Sobre os materiais a utilizar no ensino do CEL, estes deverão ser apelativos, recorrendo às novas tecnologias, músicas e fomentar a partilha de informação e documentos. Os alunos deverão compreender que a aquisição de conhecimentos implica empenho e estudo, uma vez que nos tempos actuais, ao nível do ensino, falta uma cultura de esforço.

Segundo estudos feitos, verificou-se a existência de vários problemas, nomeadamente: a necessidade de planificar e oficializar as práticas que são veiculadas de forma casual e espontânea e, é no 2º Ciclo onde se considera o CEL menos importante, constatou-se que a TLEBS nunca foi uniformemente aplicada. Também as estratégias para abordar conteúdos de CEL mereceram reparos, actualmente baseia-se sobretudo na explicação de regras e exemplificação e, normalmente descontextualizadas. Também o tratamento dos conteúdos de CEL, nem sempre vem articulado com outras competências, suscitando, deste modo, uma visão compartimentada das diversas competências sem haver inter-ligação entre elas. 

Ainda na reflexão sobre o CEL, existe uma razão para que o termo Funcionamento da Língua fosse alterado para Conhecimento Explícito da Língua. No primeiro não existe realmente uma relação entre o que o aluno já sabia, implicitamente, e o papel do ensino da gramática, o trabalho do professor dirige-se para a correcção do erro, o Funcionamento da Língua não é visto como uma competência nuclear mas sim transversal. No segundo pretende-se uma consciencialização do conhecimento que o aluno já tem, implícito, o trabalho é orientado para a detecção de regularidades da língua, com o intuito de mobilizar esses conhecimentos noutras situações e, é considerada uma competência nuclear.

Quanto à escrita o professor aparece com o papel de motivador, pois será difícil para um aluno escrever sem motivo/objectivo. Cabe ao professor mostrar a necessidade e a utilidade das produções escritas dos alunos, os temas deverão estar relacionados com o quotidiano, vivências ou imaginação dos alunos, de modo a serem mais atractivos e fáceis de realizar. Sugerindo temas que estão mais próximo dos alunos, não lhes vai ser tão difícil produzir o texto, pois por vezes os temas podem ser intimidativos para a criança. Cabe também ao professor corrigir os escritos, em grande ou em pequeno grupo e, se justificar, individualmente. Pode usar um código pré-estabelecido ou os alunos efectuam a auto e hetero -correcção dos textos coadjuvados por materiais auxiliares. Não é necessário avaliar tudo ou contemplar todos os itens numa mesma tarefa, desde que tenhamos planificado o que pretendemos explorar e avaliar.

Também a escrita irá obedecer a uma lógica processual, havendo três fases a seguir: o planeamento, onde o aluno pensa, ou regista o que sabe sobre o tema, que sensações lhe despertam, o que pesquisou sobre o assunto…; a segunda fase, a da textualização, onde o aluno irá redigir o texto, poderá ter ajuda de diversos materiais; e, finalmente a revisão, é um momento de aperfeiçoamento, de reformulação.

Os guiões de escrita deverão ser concretos e objectivos sem serem demasiado dirigistas, de modo a que cada aluno escreva de facto, o que sente em relação ao tema sugerido.

Também durante o processo de escrita se poderá aproveitar para inserir competências de CEL, ou da oralidade o que irá enriquecer todo o processo.

Surgem também algumas dificuldades na implementação das actividades de escrita: a falta de tempo para desenvolver oficina de escrita na sala de aula, uma vez que todas as fases do processo terão de ser ensinadas e treinadas, o que necessitará de várias aulas, ao longo de um grande período de tempo, a resistência dos alunos à escrita, que a consideram aborrecida e, por vezes, sentem-se incapazes de a desenvolver, a noção de que também a escrita se aprende, mas exige esforço, treino.

Existem algumas diferenças entre a correcção tradicional e a correcção processual, na primeira é corrigida a versão final do texto, dá-se ênfase ao produto e, trabalha-se sobretudo com os erros do aluno, é dada importância à forma, corrige-se a superfície do texto como ortografia e gramática, o professor ajuíza o texto e o aluno corrige o texto de acordo com as instruções do professor. Na correcção processual, a ênfase está no processo, já se corrigem rascunhos prévios, trabalha-se com os hábitos dos alunos, o professor colabora com o aluno na escrita e aceita o aluno ajudando-o a escrever o texto.

No que se refere à Compreensão do Oral/ Expressão Oral, a oralidade deve ser praticada desde muito cedo de forma a poder aperfeiçoar e corrigir atempadamente. Nas aulas deve-se valorizar a comunicação formal, devidamente planificado e com objectivos definidos. No aluno devem-se incentivar atitudes de curiosidade para com o orador, olhando-o, escutar de facto o que se diz, descobrir a ideia principal e os objectivos do orador e, só falar quando este tiver terminado.

Cabe ao professor planificar e preparar o ambiente para a actividade, introduzir o tema, apresentar a situação relacionada com os interesses dos alunos e, fomentar a comparação de respostas a pares ou em pequeno grupo. Deve-se recorrer a diversos materiais, como o gravador, televisão, computador…

Ainda neste segundo módulo da formação deu-se início à anualização do programa. Anualizar é gerir um tempo específico, segundo as características dos alunos, as expectativas do programa e as competências nele apresentadas, tendo em conta o espaço escolar e os recursos existentes. Também, ao anualizar o professor terá de tomar decisões responsavelmente, ajustando a sua anualização ao universo específico que será a sua turma.

A informação do que se pretende com na anualização do programa foi dada e discutida e, algumas anualizações concretizadas foram feitas em grupo, no entanto não foram grandemente discutidas.

      

    

 

 

publicado por filomenavaz às 19:38

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