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Junho 29 2010

Reflexão sobre o quarto módulo da Formação

27 e 28 de Maio de 2010

 

Nestes dois dias de formação, quarto módulo, revisitaram-se dois assuntos que já tinham sido abordados noutras sessões presenciais: a competência da escrita e as sequências didácticas. Pretendeu-se neste módulo aprofundar algumas ideias relativas à competência da escrita e também esclarecer e analisar mais atentamente algumas dúvidas que surgiram sobre sequências didácticas.

No primeiro dia analisaram-se alguns pressupostos transmitidos no Guião de Implementação do Programa (GIP), relativo à escrita. A abordagem tradicional desta competência defendia que a escrita era uma competência estilístico – literária, onde o aluno escrevia por intuição ou dom, escrevia por transferência automática da leitura e pelo estudo formal da gramática, quanto ao papel do professor, restava-lhe apenas supervisionar de longe um processo de apropriação mecânica, o aluno devia descobrir os elementos de coesão sozinho. Actualmente outros princípios são defendidos, ou seja, para comunicar por escrito, cada criança tem que aprender, primeiro, a transformar o seu discurso interior, esta aprendizagem é longa e por vezes complexa. O professor nunca pode esquecer os pré - requisitos que os alunos já possuem, todos eles já sabem qualquer coisa, não são uma folha em branco e, é a partir destes conhecimentos já adquiridos pelos alunos que estes irão construir outras aprendizagens. A competência de escrita vai sendo adquirida gradualmente e irá ser aperfeiçoada ao longo de toda a vida.

Segundo o escritor António Lobo Antunes, numa entrevista apresentada nesta sessão, referiu que “O problema não é escrever mas corrigir; sentimos as coisas com muita intensidade e às vezes fica uma grande diferença entre aquilo que se sentiu ou que se quis fazer sentir e o que ficou lá escrito.” Também para os nossos alunos corrigir é uma dificuldade. Os alunos revelam muitas dificuldades em corrigir o que escreveram e, nem sempre conseguem exprimir por escrito o que verdadeiramente queriam transmitir. Por isso, às vezes os seus escritos são confusos para o professor, no entanto têm sentido para o aluno, ele só necessita de alguma orientação e treino para ir superando gradualmente estas dificuldades. Corrigir sem tentar compreender o que o aluno realmente queria dizer não é o mais correcto, pois por vezes acabamos por deturpar a verdadeira mensagem que o aluno queria transmitir ou anulamos por completo a criatividade e motivação do aluno para escrever. Não quer isto dizer que não se corrijam os escritos dos alunos, não se deve é fazê-lo de forma abusiva tentando impor a nossa sabedoria. O aluno deve ser levado a reflectir sobre o que escreve, tentar descobrir outras formas de escrever as suas ideias, ouvir os seus escritos e os dos seus colegas e criticar de forma construtiva uns e outros. Um aluno compreenderá e aceitará melhor uma crítica ou correcção de um colega do que a do professor. Há que abandonar o hábito de riscar os textos dos alunos, rasurando-os e substituindo por outras as suas expressões, sem levar em conta o contexto em que elas foram escritas, o professor deverá acompanhar os alunos durante o processo de escrita e não deverá apenas corrigir o resultado. Desta forma, o aluno sente-se acompanhado no acto de escrita e não se irá sentir angustiado quando não souber o que escrever ou como dizer determinada coisa, pois terá ali alguém que o irá auxiliar durante todo o processo. Por vezes os alunos revelam uma grande dificuldade ao nível da escrita mas revelam uma grande capacidade criativa, este facto poderá ser frustrante para o aluno.

O aluno terá que perceber que toda a produção literária pode ser melhorada, os seus textos e também os dos grandes escritores, podem e devem ser revistos, melhorados, corrigidos. Ouvir, discutir, comentar e explicar pontos de vista é enriquecedor para o aluno, pois põe em funcionamento competências e leva o aluno a compreender os escritos e a aproximar, eventualmente, o que escreveu àquilo que realmente pretendia escrever.

O G.I.P. de escrita mostra algumas recomendações a ter em conta quando se trabalha esta competência, nomeadamente: criar contextos significativos; a necessidade de preparação da produção escrita e um trabalho sistemático de revisão; desenvolver a correcção ortográfica apoiando-se na criatividade dos alunos, pois incentivando a criatividade nos alunos leva-os a gostar de escrever e a partir daqui estarão mais receptivos a correcções; o professor deverá mostrar ou pedir sugestões, dar alternativas e não corrigir simplesmente; o professor também deverá fornecer alguns modelos de escrita, como materiais de apoio, os alunos precisam de observar enunciados correctos; ao desenvolver a competência de escrita correctamente também se irão desenvolver outras competências do português.   

O processo de escrita deverá contemplar vários aspectos: o aluno começará por planificar, seguindo qualquer modelo de guião ou de discussão prévia, e haverá o cuidado de lhe explicar em que consiste uma introdução, um desenvolvimento e uma conclusão; podem ser dadas fichas sobre como caracterizar personagens, fazer descrições; o aluno não deve perder a vontade de escrever ao longo da construção do texto, enredado no cumprimento de normas e na obediência a regras; qualquer tipo de texto escrito serve para ser lido e deverá ser lido; o professor trabalha o texto por partes, sem ter a preocupação de ensinar tudo de uma só vez – por exemplo, a escrita colectiva de uma introdução apenas, ou do desenvolvimento, ou ainda do desfecho; o professor fornece aos alunos, ao longo do processo, material de apoio, como listas de conectores discursivos, famílias de palavras, expressões que caracterizam e expressões de outra tipologia; antes da produção, deverá dialogar com os alunos, no sentido de alimentar o imaginário; por fim os alunos deverão escrever sobre os seus escritos, exprimir as suas opiniões sobre aquilo que escreveram, levá-los a reflectir sobre o que escreveram.

Nas escolas por onde tenho leccionado, nota-se já uma preocupação em publicar os textos dos alunos, seja nos jornais de parede, em Newsletter, na revista ou jornal da escola. Os alunos sentem-se orgulhosos e motivados para escrever novos textos.

Num segundo momento deste módulo abordou-se a planificação em sequência didáctica. Quando certas práticas docentes estão já interiorizadas pode gerar-se alguma resistência ou insegurança face a novas práticas e novos conceitos. Foi o que aconteceu com esta nova forma de planificação. É verdade que num primeiro momento não é fácil perceber esta nova forma de planificar, tanto mais que no primeiro ciclo o professor planifica diversas áreas do saber e a sequência didáctica não facilita o trabalho destes professores. Lidar com programas diferentes que utilizam diferentes terminologias dificulta a elaboração de uma planificação articulada, num ciclo onde a interdisciplinaridade é um imperativo. Contudo, os pressupostos inerentes a uma sequência didáctica são interessantes e merecem uma reflexão mais cuidada.

            Foi-nos apresentada uma definição de sequência didáctica que passo a citar, “um conjunto de actividades de ensino e aprendizagem, organizadas a partir da situação actual/ pré requisitos (conhecimentos prévios) de tipo declarativo e procedimental”, desta definição parte-se do princípio que qualquer sequência didáctica deverá partir de uma análise feita aos conhecimentos que os alunos possuem, verificar o estádio de desenvolvimento em que se encontram aqueles alunos. A partir deste diagnóstico vamos ter o ponto de partida para elaborar a sequência didáctica. O planeamento de uma sequência didáctica deve ser feito por etapas, estas etapas serão actividades de ensino que conduzirão, gradualmente, o aluno a um estádio de desenvolvimento pretendido. Uma etapa é uma ou um conjunto de actividades sobre um ou mais descritores de desempenho, é um conjunto de conhecimentos consolidados que irão ajudar nas aprendizagens propostas nas etapas seguintes. A sequência deverá proporcionar experiências de aprendizagem que levem ao desenvolvimento de competências, as sequências produzidas devem ser monitorizadas através de uma avaliação por descritores de desempenho que explicitam o desempenho dos alunos, deverá ser feita uma avaliação processual, sistematização por etapas, formativa e, uma avaliação sumativa que será uma sistematização por sequência.

            Tanto a competência foco como as competências associadas são competências de processo e, devem ser seleccionadas em função dos resultados esperados num determinado momento em relação a uma ou mais competências. Estamos assim em presença de um ensino explícito e intencional. A competência foco corresponde à forma privilegiada numa sequência, as competências associadas devem auxiliar de forma articulada o desenvolvimento da competência privilegiada.

            O novo programa apenas dá, como pontos de referência, os perfis finais de cada ciclo e por isso, não é possível construir sequências sem primeiro se proceder à anualização. A margem de gestão que este programa permite, dá aos professores a oportunidade de fazerem uma escolha pensada e mais centrada nos alunos. Uma sequência didáctica deverá levar o aluno a aprender, ou seja, a dominar níveis crescentes de complexidade.

            Quando se planifica uma sequência didáctica deve-se ter em conta que as cinco competências do programa deverão surgir ao longo do ano, na mesma percentagem, estas deverão ser trabalhadas equitativamente ao longo do ano.

            Com o novo programa pretende-se desenvolver as competências nos alunos e, qualquer conteúdo das disciplinas deve ser mobilizado para se colocar ao serviço das competências. Uma sequência didáctica bem estruturada deve prever certos aspectos, nomeadamente: promover o desenvolvimento integrado das diversas competências; criar contextos significativos capazes de desencadear e regular as aprendizagens; permitir uma avaliação centrada nos desempenhos dos alunos; mobilizar recursos diversificados e divulgar os produtos dos trabalhos realizados pelos alunos.

            Depois da reflexão conjunta na sessão presencial sobre sequências didácticas, foi-nos proposto analisar e criticar, a partir de um guião, uma sequência didáctica construída propositadamente e reformular uma sequência produzida em grupo no módulo anterior. Este trabalho prático ajudou-nos a reflectir sobre como elaborar uma sequência e quais os erros a evitar, no entanto, será na nossa prática lectiva com alunos concretos que iremos experimentar esta nova forma de planificar e, será então o momento de encontrar estratégias adequadas a cada contexto. A troca de experiências entre docentes será então mais útil e desejável e seria pertinente a criação de sítios onde essas trocas pudessem ocorrer.

 

 

publicado por filomenavaz às 11:57

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